Leituras:
O conceito de sacrifício é fundamental em todo o evangelho.
Nas línguas bíblicas, as palavras para “sacrifício” frequentemente retratam a
ideia de aproximar-se, e de trazer algo para Deus. O significado básico do
hebraico para oferta ou sacrifício descreve o ato de se aproximar, o ato de
trazer algo à presença de Deus. O equivalente grego significa “dádiva” e descreve
a apresentação de um sacrifício.
Da mesma forma, a palavra oferta vem do latim offerre, a apresentação de uma
dádiva. A palavra sacrifício é uma combinação do latim sacer (sagrado) e facere
(fazer), e se refere ao ato de tornar algo sagrado.
Nesta semana, examinaremos alguns dos sacrifícios que os fiéis ofereceram a
Deus. Descobriremos que Deus sempre pediu sacrifícios, e hoje Ele ainda pede.
Certamente, e acima de tudo, Deus proveu o principal sacrifício, de Si mesmo,
na pessoa de Jesus Cristo.
O primeiro sacrifício
1. Qual foi a resposta de Deus a Adão e Eva depois que eles
pecaram? Gn3:9-21
Adão e Eva viviam em um mundo perfeito, em um jardim
semelhante a um santuário, e o Criador mantinha comunhão face a face com eles.
O primeiro pecado deles abriu um abismo quase intransponível em seu
relacionamento com Deus. No entanto, Deus já havia planejado uma forma de
superar essa quebra de confiança e, antes mesmo de qualquer julgamento contra
eles, o Senhor lhes deu a esperança de um Salvador (Gn 3:15).
“Adão e Eva se achavam como criminosos diante de seu Deus, aguardando a
sentença, que a transgressão havia atraído sobre eles. Antes, porém, de ouvirem
falar nos cardos e espinhos, na dor e na angústia que lhes caberia em quinhão,
e do pó a que deveriam voltar, escutaram palavras que lhes deviam inspirar
esperança. Se bem que devessem sofrer [...], poderiam aguardar no futuro a
vitória final” (Ellen G. White, Para Conhecê-Lo [MM 1965], p. 16).
O Senhor lhes mostrou o fundamento principal dessa vitória quando,
imediatamente depois do pronunciamento de Seu julgamento, Ele fez para eles
vestes de pele para cobrir sua nudez e vergonha. Embora não declarado, pode ser
razoável supor que um animal inocente teve que morrer por isso, e talvez até
mesmo que esse ato tenha sido entendido como uma espécie de sacrifício (Gn
3:21).
A provisão divina de vestes para os culpados se tornou um ato simbólico. Assim
como os sacrifícios no santuário do deserto garantiam o relacionamento especial
entre Deus e Seu povo, as vestes no Jardim asseguraram aos culpados a imutável
boa vontade de Deus para com eles.
Portanto, desde os primeiros dias da história humana, os sacrifícios ensinaram
que os seres humanos pecadores poderiam encontrar união com Deus, mas apenas
mediante a morte de Jesus, prefigurada nesses sacrifícios.
Releia Gênesis 3:9-21. Mesmo antes de Deus proferir o juízo
contra o casal culpado, Ele lhes deu a promessa da “vitória final”. O que isso
diz sobre a atitude de Deus para conosco, mesmo em nossa condição de pecado?
Tipos de ofertas
Nos tempos do Antigo Testamento, os fiéis podiam trazer
ofertas em diferentes ocasiões e em diversas circunstâncias pessoais. As
diferentes ofertas que eles eram autorizados a “apresentar” incluíam animais
limpos, cereais, bebidas e outras coisas. O sacrifício de animais é o elemento
mais antigo no serviço do santuário e, com o ministério sacerdotal, está no
centro do culto israelita. Vida religiosa sem sacrifícios era inconcebível.
2. Quais tipos de ofertas são descritas nos textos a seguir?
Êx12:21-27; Lv2:1-3; Êx25:2-7; Lv4:27-31
Deus estabeleceu o sistema de sacrifícios para que os fiéis
pudessem entrar em íntimo relacionamento com Ele. Por isso, as ofertas poderiam
ser trazidas em diferentes situações: ação de graças, expressão de alegria e
celebração, dádiva, pedido de perdão, apelo penitencial, como símbolo de
dedicação, ou para restituição.
Entre os mais importantes tipos de ofertas estavam o holocausto (Lv 1) e as
ofertas de cereais (ofertas de manjares; Lv 2), bem como os sacrifícios
pacíficos (ofertas de comunhão; Lv 3), ofertas de purificação (Lv 4), e a
oferta de reparação (pela transgressão ou pela culpa; Lv 5:14–6:7). As três
primeiras eram ofertas voluntárias, que deviam lembrar ao doador (e a nós) que,
no fim, tudo o que somos e temos pertence a Deus. O holocausto simboliza a
dedicação total de quem faz a oferta. A oferta de cereais simboliza a dedicação
de nossos bens materiais a Deus, sejam eles alimentos, animais, ou qualquer
outra coisa. Os sacrifícios pacíficos eram a única oferta da qual o
participante recebia uma parte para consumo pessoal.
Os outros dois sacrifícios eram obrigatórios. Relembravam às pessoas que,
embora as transgressões tenham consequências, elas podem ser “curadas”. A
oferta de purificação, muitas vezes chamada de “oferta pelo pecado”, era
oferecida após a contaminação ritual ou depois que uma pessoa se tornava
consciente de uma contaminação moral pelo pecado.
A ampla função das ofertas mostra que cada aspecto de nossa
vida deve estar sob o controle de Deus. Como você pode entregar completamente a
Ele o que você tem e o que você é? O que acontece quando você não faz isso?
Sacrifício no Monte Moriá
Qual foi o propósito de Deus nesse incrível desafio à fé do
patriarca? A vida de Abraão com Deus sempre foi acompanhada pelas promessas
divinas: a promessa da terra, descendentes e bênçãos; a promessa de um filho e
de que Deus cuidaria de Ismael. Abraão sacrificava, mas sempre à luz de alguma
promessa. No entanto, na situação descrita em Gênesis 22, Abraão não recebeu nenhuma
promessa divina. Em vez disso, ele foi instruído a sacrificar a promessa viva,
seu filho. Prosseguindo conforme a ordem de Deus, Abraão mostrou que o Senhor
era mais importante para ele do que qualquer outra coisa.
“Foi para impressionar Abraão com a realidade do evangelho, bem como para lhe
provar a fé, que Deus o mandou matar seu filho. A angústia que ele sofreu
durante os dias tenebrosos daquela terrível prova foi permitida para que ele
compreendesse por sua própria experiência algo da grandeza do sacrifício feito
pelo infinito Deus para a redenção do homem. Nenhuma outra prova poderia ter
causado a Abraão tal tortura de alma, como fez a oferta de seu filho. Deus deu
Seu Filho a uma morte de angústia e ignomínia” (Ellen G. White, Patriarcas e
Profetas, p. 154).
Quanto ao sacrifício, Abraão compreendeu dois princípios essenciais. Primeiro,
ninguém, senão o próprio Deus pode oferecer o verdadeiro sacrifício e o meio de
salvação. Certamente o Senhor proverá. Abraão eternizou esse princípio ao
chamar o lugar de “YHWH Jireh” [Jeová Jiré], que significa “O Senhor Proverá”.
Segundo, o sacrifício real é de substituição, que salva a vida de Isaque. O
carneiro foi oferecido “em lugar de” Isaque (Gn 22:13). Esse animal, que Deus
proveu, prefigurou o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo, sobre quem “o Senhor fez
cair [...] a iniquidade de nós todos” (Is 53:6, 7; At 8:32).
Que impressionante entrega a Deus! Podemos imaginar como
deve ter sido essa experiência para Abraão? Pense sobre a última vez que você
teve de avançar pela fé pura e fazer algo que lhe causou muita angústia. O que
você aprendeu com suas ações?
Vida por vida
Numa passagem em que Deus instruiu os israelitas a não comer
sangue, Ele proveu uma razão interessante para essa proibição: o sangue
representa a vida, e Deus tornou o sangue sacrifical um resgate pela vida
humana. Uma vida, representada pelo sangue, resgata outra vida. O princípio de
substituição, que se tornou explícito no Monte Moriá, quando Abraão ofereceu o
sangue do carneiro em lugar do sangue de seu filho, está firmemente ancorado
nos requisitos legais de Deus para o antigo Israel.
Como em Gênesis 22, Deus mostra que Ele mesmo provê o meio para a expiação. Em
hebraico, há uma ênfase na palavra “Eu”, na expressão “Eu o dei a vocês” (Lv
17:11, NVI). Não podemos prover nosso próprio resgate. Deus deve concedê-lo.
O conceito é diferente do de outras religiões que utilizam sacrifícios. Na
Bíblia, não é o ser humano que se aproxima de Deus na tentativa de acalmá-Lo,
mas é Deus que oferece o meio para que a pessoa entre em Sua santa presença. Em
Cristo, o próprio Deus oferece o sangue para o resgate.
Deus nunca pretendeu que o sistema de sacrifícios fosse um
substituto para a atitude do coração. Ao contrário, os sacrifícios deviam abrir
o coração do fiel para o Senhor. Se perdermos de vista o fato de que os
sacrifícios expressam um relacionamento espiritual entre Deus e as pessoas, e
que todos eles apontam para um sacrifício muito maior, Jesus Cristo, podemos
facilmente confundir o ritual de sacrifícios com um aparelho automático para
fazer expiação. Além do sacrifício, Deus deseja realmente que nosso coração
esteja em paz com Ele (Sl 51:16, 17). Constantemente, os profetas de Israel
acusaram o povo de falsa piedade e o exortaram a “[praticar] a justiça, e
[amar] a misericórdia, e [andar] humildemente com o [seu] Deus” (Mq 6:6-8;
Compare com Is 1:10-17).
De que forma enfrentamos o mesmo perigo apresentado acima?
Por que é tão difícil perceber que podemos estar fazendo a mesma coisa que os
antigos israelitas fizeram? Como podemos evitar esse erro?
Sacrifícios hoje: o sacrifício vivo
Embora após a morte sacrifical de Cristo não mais houvesse
necessidade de sacrifícios de animais, o Novo Testamento fala sobre a
necessidade de outro tipo de sacrifício.
A terminologia do sistema de sacrifícios funcionou muito bem
ao descrever o conceito cristão primitivo do que significava ter uma vida
totalmente consagrada a Deus. Na verdade, mesmo quando Paulo estava pensando em
seu martírio, ele descreveu a si mesmo como uma libação (oferta de bebida; Fp
2:17; 2Tm 4:6).
7. Que mensagem específica encontramos em Romanos12:1? De que forma devemos manifestar essa verdade em nossa vida?
“Sacrifício vivo” significa que toda a pessoa é consagrada a
Deus. Inclui a dedicação do corpo (Rm 12:1), bem como a transformação do ser
interior (v. 2). Devemos ser separados (“santos”) para o propósito único de
servir ao Senhor. Os cristãos se apresentarão inteiramente ao Senhor por causa
das “misericórdias de Deus”, descritas em Romanos 12:1-11, que apresentam
Cristo como nosso sacrifício, o meio da nossa salvação.
Nesse contexto, o apelo de Paulo é que os cristãos imitem Cristo. A verdadeira
compreensão da graça de Deus leva a uma vida consagrada a Ele e ao serviço de
amor pelos outros. Submeter o próprio eu e os desejos pessoais à vontade de
Deus é a única resposta razoável ao supremo sacrifício de Cristo por nós.
No fim, deve haver harmonia entre nossa compreensão da verdade espiritual e
doutrinária e nosso serviço aos outros. Cada aspecto da vida deve expressar o
genuíno compromisso do cristão com Deus. A verdadeira adoração nunca é apenas
interior e espiritual, mas deve abranger atos exteriores de serviço altruísta.
Afinal de contas, pense no que o Senhor fez por nós.




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