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“Céu” na Terra


Introdução

Deus utilizou diferentes formas para comunicar a verdade essencial de que aos pecadores está aberto o caminho da salvação por meio da mediação no santuário, seja ele o terrestre ou o celestial. Neste estudo, são destacadas algumas verdades maravilhosas que nos conduzem desde o Éden perdido até o Éden restaurado.

 

O primeiro “santuário” na Terra
Alguns autores têm destacado que a narrativa acerca do jardim do Éden (Gn 2:4-3:24) permite associar sua terminologia com o conceito do santuário em outras partes do Antigo Testamento. Tem sido sugerido que o jardim do Éden “era um tipo do santuário arquetípico”. No dizer de um autor, “Moisés, sob inspiração divina, claramente retrata o jardim do Éden como o primeiro santuário terrestre.” Ainda que não seja apropriado chamar o jardim do Éden de santuário ou templo no sentido em que o foram o santuário israelita ou o templo de Salomão, está claro que o jardim do Éden partilha algumas das características de ambos. Davidson chama a atenção para as “numerosas alusões intertextuais através de toda a Escritura” que mostram que o santuário celestial tinha uma contraparte sobre a Terra mesmo antes do tabernáculo mosaico.
 
Além dos vínculos apresentados pelo autor da lição, outros paralelos intertextuais podem ampliar nossa percepção do tema:
1. Direção oriental: O jardim do Éden estava direcionado para o oriente, assim como os santuários posteriores (Gn 2:8; cf. 3:24; Êx 36:20-30).

2. Verbo “plantar”: Deus “plantou” o jardim no Éden (Gn 2:8), e Ele “plantará” Israel sobre Seu santo monte, o lugar de Seu santuário (Êx 15:17; cf. 1Cr 17:9).


3. Árvore da vida: A árvore da vida estava no “meio” do jardim (Gn 2:9; 3:24), e este é precisamente o termo para a presença de Deus “no meio” de Seu povo no santuário (Êx 25:8).


4. A descrição de Deus “andando” é encontrada somente duas vezes no Antigo Testamento, uma vez em conexão com o andar de Deus no jardim (Gn 3:8) e a outra com Seu andar no meio do acampamento de Israel (Dt 23:14).


5. Os metais preciosos mencionados na narrativa do Éden são mencionados novamente em conexão com o santuário do deserto.


6. Note também como o termo para “luz” (luz maior e menor), usado para descrever o Sol e a Lua em Gn 1:14-16, é usado em outras partes do Pentateuco somente para a luz da menorah no lugar santo do santuário (Êx 25:6; 35:14, etc.).


7. Antes da expulsão de Adão e Eva do jardim, Deus os “vestiu” com “vestimentas” (Gn 3:21 – “Fez o Senhor Deus vestimenta […] e os vestiu”), precisamente os mesmos termos usados para descrever as vestimentas dos sacerdotes, Arão e seus filhos (Lv 8:7, 13; Nm 20:28; cf. Êx 28:4; 29:5; 40:14).


8. Após a expulsão de Adão e Eva, o pecado os impedia de encontrar Deus face a face no jardim. Mas na entrada oriental do jardim (cp. com os santuários posteriores), encontramos querubins – seres associados com o trono de Deus no santuário celestial (Ap 4-5; Ez 1:10).


9. Esses querubins são “colocados” (shakan, no hebraico), o mesmo verbo hebraico específico para a “habitação” (shakan) de Deus entre Seu povo (Êx 25:8).


10. É também a mesma raiz para a glória da Shekinah, a presença visível de Deus no santuário. (Cf. Patriarcas e Profetas, p. 349).
Companheirismo, intimidade com Deus – esse era o privilégio de Adão e Eva, mas que se perdeu em consequência do pecado. Mas, como um Pai amoroso, que não quer perder a companhia de Seus filhos, Deus idealizou formas para restabelecer a proximidade, até onde era possível, por meio dos santuários posteriores.



Cópia do modelo

Como deve ser entendida a relação, se é que existe alguma, entre o santuário terrestre, construído por Moisés, e o santuário celestial? Nesse aspecto, as pressuposições filosóficas podem afetar completamente a compreensão dessa relação. Aqueles que interpretam o terrestre e o celestial a partir de uma perspectiva filosófica platônica tendem a seguir o teólogo e filósofo judeu Filo de Alexandria, que sugeriu que o tabernáculo do deserto era meramente o arquétipo do mundo celestial das ideias. O resultado dessa concepção é a negação da existência de um santuário celestial real. Mas aqui caberia perguntar: Eram os autores bíblicos filósofos ou porta-vozes da verdade revelada por Deus? Quando se referiam ao santuário celestial, estavam filosofando ou comunicando a revelação divina?

Um exame dos dados bíblicos favorece a interpretação de que o Céu é um lugar real, com um santuário real, onde Cristo desempenha sua função sumo sacerdotal. É importante destacar que a Bíblia se refere a “Céu” e “santuário” como duas realidades distintas: o santuário celestial está “no Céu” (Ap 11:19, 14:17, 15:5). Assim, o Céu contém o santuário.


E o que diz o Antigo Testamento acerca do santuário? Podemos estabelecer um vínculo entre o terrestre e o celestial? Responder a essas questões é crucial para uma correta compreensão da doutrina do santuário. Em Êxodo 25:9, Deus informa como Moisés deveria construir o santuário: “Segundo tudo o que Eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis” (grifos acrescentados). O vocábulo hebraico traduzido como “modelo” nesse verso é tabnit. Essa é a primeira ocorrência de no Antigo Testamento. A palavra ocorre novamente no verso 40, quando a ordem é repetida: “Vê, pois, que tudo faças segundo o modelo (tabnit) que te foi mostrado no monte”. O substantivo tabnit é derivado do verbo banah, cujo significado é “construir”. Uma observação que não pode ser passada por alto é que Moisés estava em visão quando recebeu a ordem para a construção do santuário.


Mas a pergunta é: O que Moisés viu? Basicamente ele viu um tipo de modelo ou objeto. O que ele não viu, segundo o uso que se faz desse termo, foi uma planificação arquitetônica; viu um modelo, um objeto, mas não um detalhe de planos. Ellen G. White diz que Deus “expôs perante Moisés, no monte, uma visão do santuário celestial” (Patriarcas e Profetas, p. 343) e que Ele “apresentou a Moisés um modelo em miniatura do santuário celestial e ordenou-lhe que fizesse todas as coisas segundo o exemplar que lhe fora mostrado no monte” (História da Redenção, p. 151).


Combinando as duas referências, entende-se que Moisés viu parte do santuário celestial, que lhe serviu de modelo para o terrestre. Portanto, existe algum tipo de “relação estrutural” entre eles. Sendo que o santuário terrestre possuía dois compartimentos, pode-se concluir o mesmo com relação ao celestial, além de um ministério em duas fases desempenhado por Cristo naquele lugar.



Jesus como o santuário

A analogia entre o santuário e Jesus pode ser compreendida quando se considera que o santuário/templo era o lugar da habitação de Deus (Êx 25:8, 9). No lugar santíssimo, sobre o propiciatório, a glória de Deus, símbolo de Sua presença, se manifestava. Na identificação do corpo de Jesus como o “santuário”, usa-se o termo grego naos, que significa o “lugar da habitação da divindade”. E Jesus é, de um modo singular, o lugar da habitação de Deus. Como está escrito: “NEle, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2:9). João destacou essa verdade ao dizer que, na encarnação, quando “habitou” (verbo cognato de skene, “tabernáculo”) entre nós, Ele manifestou a glória do Pai (Jo 1:14).

O templo de Seu corpo seria destruído, mas esse próprio ato significaria a destruição do templo de Jerusalém, visto que o sacrifício de Jesus, como o verdadeiro Cordeiro de Deus (Jo 1:29) tornaria sem efeito todos os sacrifícios posteriores realizados no templo. Jesus abriu o caminho para a presença de Deus, o trono de Sua graça e misericórdia.



A igreja como o santuário

Embora fisicamente o templo de Jerusalém tenha continuado até sua destruição no ano 70 d.C, teologicamente já não cumpria nenhuma função no plano da salvação, visto que o verdadeiro sacrifício, Cristo, já havia sido oferecido sobre a cruz. Em substituição àquele templo, o NT apresenta a igreja, constituída por pecadores salvos pela graça, como o lugar da habitação de Deus. A palavra para “templo” (naos, em grego) usada por Paulo refere-se ao santuário real, o lugar de habitação da Divindade. Muitos dos crentes em Corinto vieram do paganismo, e teriam frequentado os templos pagãos da cidade, entrando até nos seus lugares mais santos. Mas Paulo argumentou que há um só Deus e, em consequência, podia haver somente um templo na cidade, que eram os crentes do lugar. E como podia ser isso? Porque “o Espírito de Deus habita em vós” (1Co 3:16). A igreja agora reflete as características do templo, não por sua arquitetura, mas unicamente pela presença do Espírito.

De acordo com a legislação levítica, a penalidade por contaminar o santuário era a morte (Lv 15:31) ou ser eliminado do meio da congregação (Nm 19:20). Essa é uma advertência muito séria. O cristão deve cuidar em não contaminar a si mesmo (1Co 6:19, 20), apresentar-se como um “sacrifício vivo, santo” ao Senhor (Rm 12:1) e, corporativamente, zelar pela unidade da igreja, o templo de Deus. E isso é assim porque o templo de Deus é sagrado (1Co 3:17) e deve ser mantido como tal.


Para reflexão: No lugar santíssimo do templo terrestre a glória de Deus se manifestava. De que formas poderia essa glória se manifestar em nossa vida, como templos santos de Deus?



Nova criação

Deus prometeu a Abraão e seus descendentes “E serei o seu Deus” (Gn 17:8; cf. 2Sm 7:14; Jr 30:22; Ez 37:26, 27). Em Sua primeira vinda, Jesus foi identificado como “Emanuel”, “Deus conosco” (Mt 1:23). Em Apocalipse 21:3, encontramos o cumprimento final do concerto estabelecido com os fiéis do passado. Deus habitará com Seu povo. Embora o tabernáculo do deserto estivesse no meio do acampamento, o pecado impedia que todos pudessem ter acesso ao seu interior. Somente os sacerdotes podiam nele entrar. Mas agora os salvos são descritos como estando no santuário, diante do trono de Deus (Ap 7:15). Não há mais barreiras. A comunhão é direta. O verbo “habitar” (skenoo, em grego) é cognato do substantivo “tabernáculo” (skene), simbolizando a presença permanente de Deus com Seu povo, reafirmado na expressão “e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21:3). Não há mais separação. No simbolismo empregado por João, a Nova Jerusalém é identificada com o lugar santíssimo do santuário. Dessa forma, podemos entender que os redimidos habitarão no próprio santuário, na presença de Deus. Já imaginou como será tremendo esse privilégio?

Conclusão

Desde o princípio da criação, o propósito de Deus era que o homem desfrutasse de plena comunhão com Ele, em Sua presença. O pecado frustrou temporariamente esse objetivo, mas o santuário no deserto, a encarnação de Jesus, a igreja e, finalmente, a Nova Jerusalém nos mostram o intenso desejo de Deus de Se aproximar de nós e nos dá a esperança de que um dia habitaremos para sempre na presença do Senhor.

 
 
 
Richard M. Davidson, “Cosmic Metanarrative for the Coming Millennium”, Journal of the Adventist Theological Society, 11/1-2 (2000): 102-119. Ver p. 108.
Ángel M. Rodríguez, “The Sanctuary Doctrine”, manuscrito não publicado (Biblical Research Institute, 2000), p. 14.
Davidson, “Cosmic Metanarrative”, 109 ss; Rodríguez, p. 15-20.
Gerhard Hasel, Redenção divina hoje (Brasília: Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia, 1981), p. 144.
Ángel M. Rodríguez, “Santuário”. Em, Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (CPB, 2011), p. 429. Ver Elias B. Souza, The Heavenly Sanctuary/Temple Motif in the Hebrew Bible: Function and Relationship to the Earthly Counterparts (Berrien Springs, MI: ATS Publ., 2005).

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